sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tyler Ralph - Princípios básicos de Currículo e Ensino

Resumo do livro PRINCÍPIOS BÁSICOS DE CURRÍCULO E ENSINO de Ralph Tyler
Edição GLOBO, PORTO ALEGRE, 1978
Pela Profa Dra Elisa Maria Cordeiro da Paixão

INTRODUÇÃO

O livro procura apresentar “ em linhas gerais, um modo de encarar um programa de ensino como um instrumento eficiente de educação”. Para isso identifica quatro questões fundamentais que devem ser respondidas quando se desenvolve qualquer currículo e plano de ensino:
1- que objetivos educacionais s escola deve procurar atingir;
2- que experiências educacionais podem ser oferecidas e que tenham probabilidade
de alcançar esses propósitos;
3- Como organizar eficientemente essas experiências educacionais
4- Como ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados.

O livro sugere métodos para estudar as questões acima propostas. A seguir um resumo de seu conteúdo .

Cap. 1 - QUE OBJETIVOS EDUCACIONAIS A ESCOLA DEVE PROCURAR ALCANÇAR

Fundamentalmente objetivos são juízos de valor. As discussões e pesquisas a respeito deles incluem também dúvidas a respeito das fontes fundamentais das quais é possível derivar objetivos.
Em relação à essas fontes de objetivos existem algumas posições:
- os progressistas acentuam a importância de estudar a criança para descobrir seus problemas e interesses 1
- os essencialistas põem a ênfase na herança cultural e seus objetivos são as aprendizagens básicas extraídas do tesouro cultural do passado.
- sociólogos e especialistas preocupados com os problemas da sociedade contemporânea vêm na análise dessa sociedade, a informação básica que serviria para extrair os objetivos.
- por outro lado alguns filósofos da educação reconhecem que existem valores básicos a serem respeitados e desenvolvidos e concluem que a filosofia deve ser a fonte básica da qual se deve derivar objetivos.


ESTUDO DOS PRÓPRIOS ALUNOS COMO FONTES DE OBJETIVOS

Os defensores deste ponto de vista consideram que : “em geral o ambiente cotidiano dos jovens, no lar e na comunidade, fornece uma parte considerável do desenvolvimento educacional do estudante. O esforço da escola deve concentrar-se nas falhas sérias que não são cobertas pelos ensinamentos desse ambiente para promover o desenvolvimento desses estudantes e suas necessidades mais evidentes”.
Para identificar e estudar essas necessidades e carências, poder-se-ia classificar a vida em certo número de aspectos principais e estuda-los em separado. Por exemplo o estudo poderia incluir as categorias:
1- saúde
2- Relações sociais imediatas
3- Relações socio-cívicas
4- aspectos da vida relativos ao consumo
5- vida ocupacional
6- vida recreativa ( Tyler, 1978,pp1-8)
Para cada uma dessas categorias o levantamento deveria incluir o estudo das práticas das crianças, seus conhecimentos e idéias, atitudes, interesses, etc.
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ESTUDO DA VIDA CONTEMPORÂNEA FORA DA ESCOLA

Dada a complexidade da vida contemporânea , seu estudo deve ser subdividido no estudo de alguns aspectos ou categorias . Por exemplo podem ser consideradas as seguintes categorias :
a) proteção e conservação da vida
b) recursos naturais
c) produção de bens e serviços e distribuição dos rendimentos da produção
d) consumo de bens e serviços
e) comunicação e transporte de bens e pessoas
f) recreação
g) expressão de impulsos estéticos
h) expressão de impulsos religiosos
i) educação
j) extensão da liberdade
k) exploração

SUGESTÃO SOBRE OBJETIVOS FORNECIDA POR ESPECIALISTAS EM DISCIPLINAS

As propostas dos especialistas nas disciplinas atuam:
- fornecendo indicações a respeito de como o estudo de uma disciplina pode enriquecer a educação em geral;
- demonstrando as contribuições particulares que cada disciplina traz

O USO DA FILOSOFIA NA SELEÇÃO DE OBJETIVOS

A filosofia geral e educacional seguida por uma escola pode servir como o primeiro crivo na seleção de objetivos educacionais. 3
Por exemplo, se uma escola segue uma “filosofia democrática” (SIC), ela defenderá quatro valores:
a)- o reconhecimento da importância de todo indivíduo humano como ser humano, qualquer que seja seu status social, racial, nacional ou econômico;
b)- a oportunidade de uma ampla participação em todos os aspectos e atividades dos grupos sociais que constituem a sociedade;
c)- o estímulo à variedade ao invés de se exigir um tipo uniforme de personalidade;
d)- a fé na inteligência ao invés de ser dependente da autoridade de um grupo autocrático ou aristocrático.
Esses valores sugerem objetivos educacionais no sentido de indicarem espécies ou padrões de comportamento.

O USO DA PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM NA SELEÇÃO DE OBJETIVOS

A psicologia da aprendizagem ajuda a entender quais mudanças podem ser esperadas em um ser humano como resultado da aprendizagem.
Demonstra quais as metas exeqüíveis, quais os objetivos atingíveis em cada etapa. Demonstra ainda as condições requeridas para cada tipo de aprendizagem, o tempo que cada mudança de comportamento pode demorar para aparecer e as múltiplas decorrências de cada aprendizagem.

COMO FORMULAR OBJETIVOS DE MODO QUE SEJAM ÚTEIS NA SELEÇÃO DE EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM

Os objetivos educacionais podem ser expressos ;
1- como coisas que o professor deve fazer, como por exemplo: “apresentar a teoria
da indução” ; “ensinar as quatro operações”, etc;
2- como uma lista de tópicos, conceitos e generalizações
3- como padrões generalizados de comportamento , como por exemplo: ” apresentar atitudes sociais de aceitação de pessoas e situações”. 4
A maneira mais útil de formular objetivos ‘;e expressá-los em termos que indiquem tanto a espécie de comportamento a ser desenvolvido no estudante como o conteúdo ou área de vida que deve operar esse comportamento.






Capítulo 2 - COMO SELECIONAR EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM QUE POSSAM SER ÚTEIS NA CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS




Experiências de aprendizagem referem-se à interação entre o aluno e as condições exteriores do ambiente a que ele pode reagir. O estudante é pois o elemento ativo. Cabe ao professor fornecer a experiência educacional, criando um ambiente e estruturando a situação de modo a estimular o tipo de reação desejado.


PRINCÍPIOS GERAIS NA SELEÇÃO DE EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM

I - a fim de ser alcançado um certo objetivo, o estudante deve ter experiências que lhe
dêem oportunidade de praticar a espécie de comportamento implicada pelo objetivo;
II - as experiências de aprendizagem devem ser de tal natureza que o estudante obtenha
satisfações em seguir a espécie de comportamento implicada pelo objetivo;
III - as reações que se tem em vista da experiência devem estar incluídas no âmbito da
possibilidade para os estudantes aos quais se destinam;
IV - existem muitas experiências particulares suscetíveis de serem usadas para atingir os
mesmos objetivos educacionais;
V - a mesma experiência de aprendizagem produzirá, via de regra, diversos resultados,
alguns até negativos. 5

ILUSTRAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DAS EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM ÚTEIS À CONSECUÇÃO DE VÁRIOS TIPOS DE OBJETIVOS

1- experiências de aprendizagem úteis para desenvolver a capacidade de pensar;
2- experiências de aprendizagem úteis na obtenção de informações
3- experiências de aprendizagem úteis no desenvolvimento de experiências sociais;
4- experiências de aprendizagem úteis no desenvolvimento de interesses.






Capítulo 3 - COMO PODEM SER ORGANIZADAS AS EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM PARA UM ENSINO EFICAZ


A organização de ensino deve ser feita horizontalmente e verticalmente.
- Critérios para uma organização eficaz:
.continuidade
.seqüência
.integração
- Elementos a serem organizados
.conceitos
.valores
.aptidões
- Princípios de organização
- ampliar e aprofundar um conceito de maneira que ele conduza à maior seqüência e integração ao longo dos anos;
- estender o conceito para incluir a maior gama de aspectos;
- obedecer aos critérios de continuidade, seqüência e integração, vistos sob o ponto
de vista do aluno e não sob o de quem já domina o campo de conhecimento; 6
- obedecer à critérios psicológicos, lógicos e cronológicos;
- Estrutura da organização
Os elementos estruturais existem em três níveis: o nível amplo, o médio e o mais baixo.
No nível mais amplo esses elementos são;
a) domínios extensos - exemplo: estudos sociais, linguagem, ciências naturais, etc.
b) matérias específicas - ex.: geografia, álgebra, português, etc.
c) currículo nuclear de educação geral, combinado com campos extensos ou com matérias específicas;
d) uma estrutura completamente indiferenciada na qual o programa total é tratado como uma unidade.
No nível intermediário as estruturas possíveis são:
a) cursos organizados como seqüências. Ex.: Ciências sociais I, Ciências sociais II, Ciências Sociais III, etc.
b) cursos que representam unidades semestrais ou anuais, sem serem planejados como uma seqüência cronológica. Ex: História antiga na sexta série; História Européia Moderna na sétima série, e História da América na oitava série, etc.
No nível mais baixo de organização pode-se ter estruturas de várias espécies possíveis:
a) a “lição”- modalidade na qual cada dia é tratado como uma unidade distinta;
b) tópicos - que podem durar vários dias ou semanas
c) unidades - que são organizadas em torno de problemas ou de projetos de alunos.


O PROCESSO DE PLANEJAR UMA UNIDADE NA ORGANIZAÇÃO

FASES:
ser adotados assuntos específicos, domínios extensos ou programas nucleares.
2- Decidir quais serão os princípios gerais de organização a serem seguidos em cada domínio escolhido, 7
3- Escolher a espécie de unidade de nível baixo de organização que será usada ( lições, tópicos, unidades).
4- Desenvolver planos flexíveis ( unidades - fontes) que estarão na mãos de cada professor ao trabalhar com cada classe.
5- usar o planejamento conjunto professor - aluno para a atividade exercida em cada classe.

Capítulo 4 - COMO SE PODE AVALIAR A EFICÁCIA DE EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM

O processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que ,edida os objetivos educacionais propostos estão sendo realmente alcançados pelo programa do currículo e do ensino. Uma avaliação educacional envolve pelo menos duas apreciações: uma na fase inicial do programa educacional e outra em alguma ocasião posterior de modo que as mudanças possam ser percebidas.

PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÀO

- a primeira fase da avaliação prende-se à definição clara de objetivos;
apresentar o comportamento expresso nos objetivos educacionais;
- depois de tomadas as providências anteriores é necessário examinar instrumentos de
avaliação disponíveis para verificar até que ponto eles seguem os propósitos da
avaliação;
- quando não houver um instrumento disponível para a verificação de um objetivo é
necessário elaborar ou inventar métodos para verificar a consecução desses objetivos pelo estudante;
- verificar se os instrumentos escolhidos ou inventados realmente demonstram a aquisição
de um determinado comportamento e portanto o alcance do objetivo.
- obter formas de registrar os novos comportamentos; 8
- atribuir notas ou valores aos registros obtidos;
- avaliar o grau de objetividade dos instrumentos;
- verificar a validade dos instrumentos;



O USO DOS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO

Toda avaliação deve voltar-se para fornecer dados que permitam:
- identificar os pontos fortes e os pontos fracos do programa;
- colocar hipóteses sobre esses aspectos e testá-las
- usar os conhecimentos provenientes desses testes para a melhoria do currículo e/ou do
programa de ensino.

Outros usos e valores dos processos e resultados da avaliação:
- classificar os objetivos educacionais;
- ajudar no desenvolvimento dos planos;
- orientar individualmente cada aluno sobre seu progresso;
- informar o sucesso da escola à sua própria clientela.

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